Mar Aberto: Capítulo 4 (segunda fase)


MAR ABERTO 🌊 | web novela
CAPÍTULO 04 (segunda fase)

criada e escrita por: Ruan Ferreira
autorização especial: LRTV

Abertura:

CENA 1. BARCO DE TURISMO – DIA

O Sol brilhando sobre o mar cristalino da Praia do Forno. Gaivotas voam no céu e o barulho das escunas ecoa ao longe. Em um barco simples, Tiago guia um grupo de turistas, entre eles, está Maria Clara, sentada na proa, deixando o vento bagunçar seus cabelos. Os turistas se divertem, tiram fotos, mergulham, mas o olhar de Tiago busca Clara o tempo todo.

TIAGO (se aproximando): Cada vez que venho pra cá nessas ilhas, parece a primeira vez. Bonito né?

CLARA (sorri): É o lugar mais lindo do mundo. Se um dia eu fosse embora do Arraial, acho que deixaria metade de mim nesse mar.

TIAGO: Então é bom que você não vá embora nunca…

Ele a encara no fundo dos olhos, fascinado. Ela sorri, sem graça.

CLARA: Você sempre com esse jeito, Tiago. Esse modo de falar como se tudo fosse simples. Como se bastasse querer pra acontecer.

TIAGO: Às vezes basta mesmo. (aproximando mais) E se eu quisesse… Te beijar agora?

Clara hesita, o olhar entre os lábios dele e o mar. Desvia.

CLARA: Eu gosto muito de você, Tiago, você sabe disso. Mas o Zé Bento… Ele não quer que a gente se envolva.

TIAGO: Seu padrasto. Desde que você tinha o quê? Uns doze anos? Ele já implicava comigo. Parecia que eu ia te raptar pra outro mundo.

CLARA (suspira, olhando o horizonte): Ele sempre pegou no meu pé. (sorrindo) Engraçado, com a minha mãe sempre foi diferente. Ela sempre me entendeu, com um olhar, às vezes bastava. Se não fosse por ela, nem sei o que seria da minha vida, Tiago.

Tiago passa a mão pelos cabelos de Clara, com doçura.

TIAGO: Dona Dalva é de outro mundo. Toda vez que fala de você, fala como se fosse uma benção que caiu do céu, um presente de Deus. Sempre teve medo de te perder pro mar.

Clara volta o olhar para as águas que batem no barco, encarando o mar aberto em sua frente.

CLARA: Às vezes sinto que o mar me chama. Como se tivesse algo me esperando além dele, e eu não soubesse explicar o quê.

Tiago a observa, intrigado. Volta a sorrir para quebrar o clima.

TIAGO: Então é melhor a gente voltar logo, antes que ele te leve pra longe de mim.

CLARA (sorri): Bobo!

Os dois se olham com extremo carinho, sorrindo um para o outro.

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CENA 2. VILA DOS PESCADORES – BAR – DIA

Pescadores bebem e falam alto. Zé Bento está ali, curvado sobre o balcão, a barba por fazer, olhar cansado e amargo. Diante dele, uma garrafa de cachaça já quase vazia.

OSVALDO (enchendo o copo): Vai querer mais uma, Bento?

ZÉ BENTO (resmunga, voz enrolada): Manda aí. A vida tá curta demais pra beber pouco.

OSVALDO: Cuidado, homem. A Dalva já veio te procurar outro dia… Disse que anda preocupada com o rumo que cê tá tomando.

ZÉ BENTO (ri sem humor): Preocupada? Ela devia era me agradecer. Quem é que põe comida naquela mesa, hein? (bate o copo no balcão) Eu! Mesmo com esse braço doendo, com o barco caindo aos pedaços. Eu!

OSVALDO: Ninguém tá dizendo o contrário, homem. Mas tu não precisa afundar junto com o barco.

Bento levanta devagar, tropeçando um pouco, joga o dinheiro sobre o balcão.

ZÉ BENTO (amargo): Quem já tá no fundo do mar, não sente mais nada.

Dá o último gole e sai cambaleando pela rua de areia. O vento sopra forte, levantando poeira.

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CENA 3. CASA DE DALVA E ZÉ BENTO – COZINHA – DIA

Dalva na beira do fogão, fazendo café. Zé Bento entra batendo a porta, olhar turvo. Dalva de cara fechada.

DALVA: Tava bebendo de novo, Bento? Essa hora?

ZÉ BENTO (irritado): Eu sei ver as horas, Dalva. E sei muito bem que não tem ninguém aqui pra mandar em mim!

Ele se aproxima, jogando o chapéu sobre a mesa, derrubando uma xícara sem querer, que se quebra, fazendo barulho. Dalva respira fundo, tentando manter a calma.

DALVA: Cê chega todo dia assim, cansado, fedendo a cachaça… E depois quer que a vida mude. Como, Bento? Como é que muda desse jeito?

ZÉ BENTO: A vida não muda, Dalva! A vida foi essa que sobrou pra gente! (grita, batendo na mesa) Pescando pra sobreviver, vendo o mal engolir tudo, os sonhos, as promessas… (embargado) Nosso filho.

Dalva fecha os olhos, respira fundo.

DALVA: Não fala isso. Deus deu outra chance, nos deu a Maria Clara.

ZÉ BENTO (rindo): Outra chance? Aquela menina não é nossa, Dalva! E você sabe disso melhor que ninguém. Vive fingindo que é, mas não é!

Dalva se aproxima dele, firme, mas com olhos marejados.

DALVA: Pois ela é minha filha sim! E Deus sabe que eu daria minha vida por ela! Se eu não tivesse cuidado dela, Bento, você acha que a gente ainda tava junto? Era essa menina que me dava coragem todo santo dia, enquanto você se enterrava nessa garrafa de cachaça!

ZÉ BENTO (rancor contido): Só queria que fosse o nosso filho aqui. Queria que as coisas tivessem sido diferentes.

DALVA (olhos marejados): A vida foi dura com você, Bento. Mas foi comigo também. Nenhuma mãe carrega uma dor menor que perder um filho nos braços. E ainda tô aqui, de pé, escolhendo viver! Agora olha pra você no espelho, e se pergunta se é isso mesmo que tu quer pro resto dos teus dias!

Ele a encara, engole seco. Confuso, sai cambaleando em direção ao quarto, batendo a porta com força. Dalva chora baixinho, apoiada no tampo da mesa, olhos fechados.

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CENA 4. PRAIA – DIA

Maria Clara e GABI saindo da área dos barcos de turismo e andando por ali, com um sorvete cada uma, em mãos.

GABI: Hoje à noite vai ter luau, hein! Lá na Prainha. É pra comemorar meu aniversário, vai uma galera do turismo… Tiago, o pessoal dos barcos, todo mundo.

CLARA (sorri distraída): É verdade, Gabi. Hoje é seu aniversário, com tanta coisa tinha até esquecido. Eu nem sabia que vocês iam fazer festa.

GABI: Nada demais. Um violão, umas lanternas, uma fogueira. Mas vai ser bonito. Quero todo mundo comigo, inclusive minha melhor amiga.

Maria Clara desmancha o sorriso, hesita.

CLARA: Não sei se vou poder. Zé Bento anda de olho em mim pra tudo. Ontem mesmo, só porque voltei uns minutos mais tarde da vila, ele já começou a implicar.

GABI (revirando os olhos): Ele te trata como se você ainda tivesse dez anos.

CLARA: Desde sempre é assim. Ele acha que pode decidir tudo por mim. (pensativa) Mas também, foi ele quem ajudou a me criar, né? Eu tento entender.

GABI: Entender, tudo bem. Mas se deixar, ele te tranca em casa. (sorri) Faz assim: diz que vai dormir cedo, e quando todo mundo já tiver deitado, você dá um jeito de escapar.

CLARA (rindo): Fugir de casa, Gabi? Parece coisa de novela!

GABI: Ah, amiga, dá seu jeito. Além do que, o Tiago vai estar lá essa noite. Tá ajudando a organizar tudo, e você sabe… Que ele gosta de você.

CLARA (sorri): Você acha mesmo que ele gosta tanto assim de mim?

Gabi sorri, disfarçando o incômodo.

GABI: Acho que o Tiago gosta de quem sorri para ele. Mas só o tempo mostra quem é de verdade, Clara. Vai essa noite no luau, descobre.

Clara sorri, pensativa.

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CENA 5. RIO DE JANEIRO – ESTALEIRO ATLÂNTIDA NÁUTICA – DIA

O som metálico das ferramentas ecoam pelo estaleiro. Ambiente movimentado na fabricação de lanchas e jet skis, tudo sob o comando de Pedro, que observa a produção de braços cruzados, cercado por engenheiros e supervisores.

ENGENHEIRO-CHEFE (orgulhoso): Estamos dentro do cronograma, doutor Pedro. Esses novos modelos são mais leves, mais potentes e totalmente seguros.

PEDRO (duro): Segurança não é diferencial, é obrigação. Quero cada parafuso revisado. Não quero nenhuma falha.

O grupo se entreolha em silêncio. Ao fundo, João Felipe, se aproxima com um sorriso irônico, segurando uma prancheta com documentos.

JOÃO FELIPE (tom de brincadeira, mas com veneno): Pelo visto, trauma mesmo, não é? Até parece que vai pilotar cada um desses pessoalmente.

PEDRO (encarando): Não é trauma. É responsabilidade.

JOÃO FELIPE: Ah, claro. Só espero que esses protótipos não acabem como o da nossa lancha há vinte anos atrás, lembra? (atingindo) Aquele lançamento que…

PEDRO (tom): Sai daqui, João!

João se entreolha com outros membros da equipe, que sentem o clima pesado.

JOÃO FELIPE (sorrindo): Eu só… Foi brincadeira, Pedro.

PEDRO (gritando): Eu disse pra sair daqui!

João se cala, e sai, engolindo o orgulho. Pedro permanece imóvel por alguns segundos, olhar fixo nas lanchas à sua frente. Respira fundo.

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CENA 6. ATLÂNTIDA NÁUTICA – ESCRITÓRIO DE PEDRO – DIA

As luzes no estaleiro se apagando. Pedro entra na penumbra de seu escritório, iluminado apenas por uma luminária na mesa. Abre a gaveta e tira uma foto antiga: Lucas e Lia ainda crianças, no dia do fatídico aniversário de quatro anos. Pedro segura a foto com as mãos trêmulas, senta em sua poltrona.

PEDRO (voz embargada): Eu deveria ter te protegido.

Passa os dedos pelo rosto da menina na foto. Fecha os olhos, tentando contar a dor.

PEDRO (baixo, quase sem voz): Me perdoa, Lia… Me perdoa…

A câmera se afastando lentamente, mostrando a solidão e a dor de Pedro, o estaleiro vazio, escuro.

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CENA 7. URCA – MURETA – DIA

O Sol se pondo atrás do Pão de Açúcar, refletindo no mar, formando uma linda paisagem. Estela e Bianca, carregando algumas sacolas de shopping, sentam em uma das mesas na Mureta da Urca, diante da Baía de Guanabara. Logo são servidas com dois copos de suco. Um grupo de jovens tocando violão ao fundo. Bianca olha o entorno, suspirando.

BIANCA: Esse lugar sempre me acalma. O mundo pode estar desabando, mas aqui parece que tudo desacelera, né?

ESTELA (olhando o horizonte): Pena que a cabeça da gente não desacelera junto.

BIANCA: Nem me fala. Pedro continua do mesmo jeito?

ESTELA (suspira triste): Talvez até pior. Ele não é mais o mesmo homem que eu conheci, Bianca. Vira e mexe se tranca no escritório, vive obcecado pela empresa. Quando está em casa, é como se… Não estivesse. O Lucas crescendo com um pai que mal reconhece, vive tentando chamar a atenção, se revoltando com tudo… Eu não sei mais o que fazer.

Bianca toca seu braço, com ternura.

BIANCA: Você sabe que não é culpa sua. Aquela tragédia mudou tudo.

ESTELA: Eu também mudei. Perdi a filha, e de alguma forma, perdi o marido junto.

Estela olha para as águas da Baía, com olhar vago e triste.

BIANCA: A gente casa achando que o amor vai ser suficiente, mas às vezes, o amor é o que mais dói.

ESTELA: E o Gustavo? Você disse que ia conversar com ele sobre a questão da adoção. Conseguiu convencer o seu marido?

BIANCA (negando com a cabeça): Ele não quer nem ouvir sobre o tema. Diz que filho é “coisa da natureza”, que não dá pra forçar o destino. Mas o destino já me forçou tanta coisa… Aceitar que eu nunca vou poder engravidar. Depois que nós descobrimos, Gustavo se fechou completamente pro assunto.

ESTELA: Bianca, não se culpe por isso. Você é forte, generosa. O erro é dele, por não enxergar o quanto tem sorte por ter você ao lado.

BIANCA (sorri emocionada): Olha a gente, duas mulheres lindas, inteligentes e interessantes, na mureta da Urca, bebendo suco de laranja e falando de homem, como se o mundo girasse em torno deles.

ESTELA (rindo): Às vezes, parece que gira mesmo. (olhando o pôr do Sol) Queria que o amor também tivesse um pôr do Sol, pra gente saber quando acabou.

BIANCA: Ou pra recomeçar, Estela. Às vezes é só isso que a gente precisa: um recomeço.

As duas em silêncio, olhando o mar. A câmera se afastando lentamente.

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CENA 8. PEDRA DA GÁVEA – DIA

O Sol já se pondo, pintando o céu de laranja e lilás.
LUCAS escalando com destreza e uma dose perigosa de inconsequência a face íngreme da Pedra da Gávea. Veste equipamentos de escalada profissional, realiza algumas manobras arriscadas na subida. O instrutor, logo abaixo, nervoso.

INSTRUTOR (gritando): Lucas! Cuidado aí, cara! Isso não é lugar pra fazer gracinha!

LUCAS (sorrindo, pendurado em uma rocha): Relaxa, irmão! Se fosse fácil, não teria graça! Precisa de uma dose de perigo!

INSTRUTOR: Isso aqui é uma escalada, não é show do Cirque Du Soleil, Lucas! Quer quebrar o pescoço, é isso?!

Lucas ri, se apoia em um ponto arriscado. O pé escorrega levemente, e o instrutor prende a respiração, tenso. Lucas se segura por instinto, com um reflexo rápido, e ri da própria imprudência.

INSTRUTOR (furioso): Você é doido, cara! Quer morrer?

LUCAS (olhando para baixo, provocador): Morrer? Eu? Só se for vendo essa vista, irmão!

Lucas chega ao topo com um salto, abre os braços, respira fundo o vento forte do alto da pedra. A vista é arrebatadora: o mar, o Cristo Redentor ao longe, o mundo aos seus pés.

LUCAS (sorri): E dizem que não dá pra tocar o céu…

Corta para o momento em que ele desce, tirando o capacete. No chão, CAROLINE, o espera impaciente, braços cruzados.

CAROLINE (irritada): Seu maluco, você quase me matou de susto aqui de baixo! Eu vi quando você escorregou!

Lucas dá um selinho em Caroline, minimizando a atitude.

LUCAS: Não dramatiza, meu amor. Escorregão faz parte do jogo.

CAROLINE: Você vive procurando o limite. Um dia ele te encontra, baby.

LUCAS (sorri debochado): Enquanto isso, me divirto.

CAROLINE (o abraçando, encarando): Pelo menos hoje promete jantar comigo, né? Já faz uma semana que você cancela.

LUCAS: Hoje não vai dar, amor… Meu pai marcou uma reunião de família, daquelas que ninguém escapa, e você conhece o seu Pedro, como é.

CAROLINE (suspira insatisfeita): Reunião de família? De novo?

LUCAS (a beijando no rosto): Prometo compensar amanhã, tá? Juro!

Ela força um sorriso, claramente insatisfeita. Ele a observa se afastar para o carro, assim que ela some de vista, tira o celular do bolso. Instantes.

LUCAS (celular, sorrindo): Fala, Francisco! (sorri) Relaxa, já despistei, irmão. Inventei a boa e velha desculpa da reunião de família. Família é o caramba! Hoje é noitada com os moleques, parceiro! (pausa) Confirma com a galera, que eu tô dentro! E prepara que hoje a primeira rodada é por minha conta!

Lucas desliga o celular, sorri de canto, ajeita os cabelos molhados de suor e sobe em sua moto, estacionada perto da trilha da Pedra da Gávea. Acelera pela estrada sinuosa com os faróis iluminados.

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A lua ilumina a vila de pescadores, as casinhas simples, os barcos ancorados. O mar quebrando na areia, revelando mais à frente a frente da casa de Dalva e Zé Bento, com algumas luzes iluminando o local.

CENA 9. CASA DE DALVA E ZÉ BENTO – QUARTO DE DALVA – NOITE

Dalva dobrando algumas roupas, enquanto Clara, seca os cabelos úmidos do banho. Olha a mãe pelo reflexo do espelho na penteadeira.

CLARA (hesitante): Mãe… Hoje é aniversário da Gabi. Ela vai fazer um luau na Praia do Pontal. Coisa simples, só o pessoal de sempre. Tava pensando se talvez, eu poderia ir.

ZÉ BENTO (entrando áspero): Luau, é? Menina sozinha, de noite, na beira da praia? Pode esquecer isso, Maria Clara!

CLARA: Não é sozinha não. A Gabi vai, o Tiago vai…

ZÉ BENTO: Tiago! (ri com deboche) É por causa desse moleque que tu quer ir, né? Já te falei que ele não presta, Maria Clara. Vive com a cabeça no vento, parece o finado pai dele quando era vivo. Não prestava!

DALVA (tentando acalmar): Bento, por favor… É o aniversário da menina, a Gabi é uma boa moça…

ZÉ BENTO (interrompendo): Boa moça coisa nenhuma! Essas festas em beira de praia só servem pra confusão e libertinagem. (encarando Clara) Tu vai ficar em casa. E ponto final!

Dalva abaixa a cabeça, impotente, mas acostumada com o temperamento do marido.

CLARA: O senhor nunca confia em mim!

ZÉ BENTO: Confiança se ganha! E tu ainda tem muito pra provar.

Ele vira as costas e sai. Dalva olha a filha e se aproxima, para consolar.

DALVA: Filha… Não é fácil lidar com teu padrasto. Ele carrega muita dor dentro dele, mas se preocupa muito com você. É coisa de quem quer cuidar.

CLARA (levantando triste): Ele não carrega dor não, mãe. Ele carrega raiva! É isso!

Clara sai do quarto, pisando firme. Dalva tenta chamar, em vão. Ela observa pela janela a lua cheia refletindo no mar distante.

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CENA 10. CASA DE DALVA E ZÉ BENTO – QUARTO DE CLARA – NOITE

O som do coaxar dos sapos do lado de fora. Clara se levanta devagar da cama, calça o short jeans, uma blusa leve e pega as sandálias nas mãos. Vai até a penteadeira, observa uma pequena foto dela com Dalva e beija o retrato com carinho.

CLARA: Desculpa, mãe, mas eu preciso viver um pouco.

Abre lentamente a janela do quarto, o vento entra, balançando as cortinas, e salta para o terreiro. Ela corre leve pela areia da vila, descalça, o sorriso se abrindo no rosto.

A imagem congela em MARIA CLARA e as águas do mar cobrem a tela.

(FIM DO CAPÍTULO)

Avaliação: 1 de 5.

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